Roman Polanski vem ao Brasil prestigiar a maior retrospectiva de sua obra por aqui.
Para mostrar boa parte de sua extensa filmografia, o cineasta franco-polonês vem ao Brasil para promover a maior retrospectiva de sua carreira por aqui. Os filmes, todos com sessões gratuitas, serão exibidos em São Paulo e Santo André e depois poderão ser vistos também no Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba.
Um pouco sobre o diretor
Roman Liebling nasceu em Paris, em 18 de agosto de 1933. Filho de pais poloneses, se mudou para a Cracóvia, onde seu pai tinha uma pequena empresa de plásticos. Mas sua infância foi logo interrompida, quando os alemães invadiram e dominaram a Polônia. Era o início da Segunda Guerra Mundial. Durante este duro período Roman ia sempre que podia ao cinema e sonhava em um dia fazer filmes.
Certo dia, sua irmã o chamou e mostrou que um muro estava sendo construído. Se tratava da criação dos guetos judeus. Com o avanço da guerra, seus pais foram capturados e levados para campos de concentração. Sua mãe, católica, morreu em um deles. Para escapar do mesmo destino, que parecia cada vez mais certo, seu pai conseguiu que ele fosse morar com famílias católicas na zona rural.
Com o fim da guerra, ele conseguiu reencontrar seu pai e com seu apoio, Roman fez aulas de atuação e na década de 1950 foi estudar cinema na Escola de Cinema de Lodz. Seu primeiro longa-metragem, A Faca na Água (Noz W Wodzie - 1962) foi também o primeiro filme polonês do pós-guerra a não mexer neste passado tão recente e dolorido. O filme foi indicado ao Oscar de Melhor filme estrangeiro.
Quando já era bastante conhecido na Polônia, voltou para a França. No oeste europeu filmou Repulsa ao sexo (Repulsion), seu primeiro "clássico" e Armadilha do destino (Cul-de-sac). Ambos foram premiados no Festival de Berlim, o primeiro com o Urso de Prata e o outro com o Urso de Ouro. Em 1968, Polanski se mudou para os Estados Unidos, onde fez A dança dos vampiros (The dance of the vampires) e O bebê de Rosemary (Rosemary´s Baby), sucessos de crítica e público.
Quando tudo caminhava para um longo e duradouro relacionamento com Hollywood, Polanski viveu um novo inferno pessoal. Grávida de 8 meses, sua mulher, a atriz Sharon Tate, foi assassinada pela gangue de Charles Manson. Sem motivos para continuar morando nos Estados Unidos, Polanski voltou para a Europa, onde não conseguiu manter o elevado nível de sua carreira. Em 1974, em seu retorno aos Estados Unidos, fez aquele que é considerado seu melhor filme, Chinatown, com Jack Nicholson.
E, mais uma vez, quando as coisas pareciam entrar nos eixos, a vida do cineasta é virada de cabaça para baixo. No fim dos anos 1970 ele foi acusado de ter estuprado uma menina de 13 anos. Na iminência de ser preso, fugiu do país. Desde 1978 Polanski não pisa em solo ianque.
Em 1980, na França, fez Tess, filme dedicado à sua ex-esposa. Por ele recebeu Oscars e Cesars (o mais prestigioso prêmio do cinema francês). De lá para cá sua carreira é bastante instável e só Lua de Fel (Bitter Moon) merecia real destaque. Até que, em 2002 voltou de forma magistral aos holofotes com O Pianista (The Pianist), laureado em Cannes e com o qual finalmente ganhou o merecido Oscar de Melhor Diretor. (continua)